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February 19, 2012
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Escolher uma caixa de bombons era uma tarefa mais fácil antes de esta loja frufru de doces chegar ao bairro. Agora Beto se confunde entre trufas de maracujá, balas de caramelo, alfajores, cookies com nozes, enfim, um sem-número de iguarias carboidratadas. Apelando para toda sua (falta de) criatividade, compra uma caixa marrom opaca com 12 bombons iguais entre si e bem comuns: avelãzinhas cobertas de wafer, chocolate e avelã picada.

A caixinha metálica é tão sem brilho e sem graça quanto o próprio Beto, um menino com grande inclinação para ficar no seu cantinho e não se destacar, ainda mais havendo certas pessoas insuportáveis na mesma escola, aliás, na mesma turma que ele.

Falando na turma, temos nela Dominique, uma criatura de aparência agradável na qual Beto não consegue parar de pensar. Ele não vê a hora de sair do seu maldito cantinho e lhe dar o presente e as palavras que ela merece.

Num hospital ali perto, está internada a avó de Beto, uma velhinha simpática que fez poucas coisas erradas na vida, mas uma delas ajudou a colocá-la na maca: o uso corriqueiro do baseado. Nos últimos anos, porém, praticamente parou de dar um tapa, não por responsabilidade, mas porque perdeu a graça.

— Como vai a escola?

— Meh… Tá indo…

— Não te atrapalha vir aqui todo dia?

— Não, que é isso, problema nenhum, vovó. Eu estudo a dois quarteirões daqui.

Uns dias se passam. Beto finalmente reúne coragem para abordar seu alvo Dominique. Com os bombons na mochila, se aproxima vagarosa e nervosamente da garota, e gentilmente lhe cutuca o ombro, fazendo-a se virar.

— Eu tô há um ano pra fazer isso.

Respira fundo, e soca o rosto da guria com tamanho vigor que ela vai ao chão.

— Me incomodar todo dia até passa, mas faz tempo que você espalha pelo colégio que minha vó é drogada, e isso eu não admito, sua vaca!

— Não é fofoca se é verdade. — ela retruca, sabendo que irritará Beto.

— Melhor eu ir embora antes que eu estrague a sua cara de vez. Já fiz o que tinha que fazer.

— Hahahaha — a inimiga ri, enquanto se levanta com dificuldade —, tá estragada o suficiente. Cê devia ter socado mais fraco. Agora eu vou ficar inchada e não será mais minha palavra contra a sua: terei prova quando contar pro diretor.

— E daí? O diretor me adora, ele vai pegar leve. Vai considerar isso um "incidente isolado".

No dia seguinte, vovó pergunta novamente sobre a escola:

— Er… Uns probleminhas, nada demais. — foi suspenso por dois dias.

— Certo. E esse volume na sua mochila é o presente que você me prometeu?

— Sim, sim! Os chocolates que você adora. A senhora prefere os mais tradicionais, então, resolvi não inventar moda.

Ao pegar a lata das avelãs, Beto percebe que está quente.

— Ih, vó, eu deixei tempo demais dentro dela, os bombons estão moles…

— Não importa, eu quero um agora. — sem pensar, ela apanha um, o devora e lambe os dedos, tal qual uma criança.
Botei um título piegas de propósito. Eu quero que vocês pensem que este texto é piegas.
:iconstingley:
Stingley Featured By Owner Feb 20, 2012
lol, adoro como seus textos dão essas reviravoltas inesperadas.

e, ALELUIA, prosa!

outra coisa, muito legal o diálogo informal, ADÓGO
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:iconlucascaps:
LucasCAPS Featured By Owner Feb 20, 2012   Writer
É tentador tacar twists em todos os contos (Deus abençoe Goosebumps). Não o faço porque pensar em surpresas dá um trabalho da p**ra, e porque nem sempre é adequado reviravoltar.

Ué, a última prosa foi Em queda, livre, apenas duas deviations atrás. Você deve estar se referindo ao total de prosas, que é realmente pequeno, apenas 5 em 19 obras.

Pois é, informal pras falas, formal pro narrador, costumo fazer assim. :)
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